Diário de Viagem

Seguro viagem: o que importa de verdade na apólice

Quatro coberturas que valem dinheiro, três que são supérfluas. A leitura objetiva da letra miúda.

Seguro viagem é vendido com técnica de medo. O atendente lista doze coberturas e você assina sem ler porque parece irresponsável não ter. A verdade é que dois terços das coberturas vendidas são duplicadas (você já tem por algum cartão ou já está coberto pelo SUS), e o terço que importa é o que ninguém destaca. Saber qual é qual diferencia um seguro útil de um produto financeiro vazio.

Importante #1: cobertura médica internacional. Esse é o coração da apólice. Olhe o limite — qualquer coisa abaixo de US$60.000 é fraco demais pra Estados Unidos ou Europa Ocidental. Acima de US$200.000 é exagero. A faixa útil real é US$100.000-150.000. Verifique também o que cobre: internação? cirurgia de emergência? dentista? Cardápio depende do destino — se for esquiar nos Alpes, cobertura específica pra esportes de risco; se vai pra Tóquio, não precisa.

Importante #2: extensão de viagem em caso de hospitalização. Você quebra a perna em Berlim. Hospital cobra o tratamento. Mas se a recuperação demora cinco dias, você não pode embarcar no voo de volta. Quem paga a remarcação, a hospedagem desses cinco dias, a alimentação? Sem essa cláusula, o seguro 'médico completo' te entrega o tratamento e te abandona no hotel. Procure a linha 'prorrogação de permanência por convalescência' — geralmente é parte das apólices intermediárias pra cima.

Importante #3: repatriação. Cobertura de transporte do paciente de volta ao Brasil em caso médico grave. Inclui voo de UTI aérea se necessário, que custa entre US$50.000 e US$150.000. Sem essa cobertura, sua família precisa decidir entre te repatriar e quebrar financeiramente, ou te manter no exterior em condições incertas. É a cláusula que justifica seguro viagem em si — todo o resto é secundário a essa.

Importante #4: cancelamento de viagem por motivo coberto. Você adoece três dias antes do voo. Sem essa cláusula, perde tudo. Com ela, o seguro paga o que você perdeu em passagem, hotel não reembolsável, ingressos. Os 'motivos cobertos' são limitados (doença, parente próximo grave, demissão), mas quando se aplica, salva R$5-15 mil. As coberturas supérfluas: bagagem extraviada (a companhia aérea já paga), atraso de voo abaixo de 4h (idem), cancelamento por mudança de planos (nenhum seguro do mundo cobre 'mudei de ideia').

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